Atividades de educação ambiental na terra indígena dos Sateré-Mawé

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Por Marina Yasbek, pesquisadora do Idesam

Entre 12 e 17 de setembro, uma equipe de pesquisadores e técnicos do Projeto Warana esteve  na Terra Indígena (TI) Andirá-Marau, localizada no leste do estado do Amazonas. Além do Idesam, participaram da atividade a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) – com uma equipe responsável pela coleta e manejo de sementes – e o Centro de Florestas Tropicais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (CFT/Inpa).

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No segundo dia de viagem (sábado), houve reunião com todos os agentes ambientais da TI (atualmente são 29) para a apresentação do programa de educação ambiental que será desenvolvido pelo Idesam. No total, 13 comunidades serão contempladas nos rios Andirá, Marau e Uaicurapa, pertencentes aos municípios de Parintins, Barreirinhas e Maués.

O povo Sateré-Mawé constitui um exemplo quase único de organização comercial indígena no Brasil, em torno da produção sustentável do guaraná através do comércio justo, exportando há mais de 20 anos para mercados externos, como Europa e Estados Unidos. Por conta de antigos projetos desenvolvidos na TI, foram capacitados agentes ambientais voluntários, para orientar e desempenhar diversas funções relacionadas às demandas socioambientais em suas comunidades.

Frente às propostas do programa de educação ambiental do Projeto Warana, elaboradas pelo Idesam e apresentadas no dia 13 em Parintins, os agentes colocaram seus anseios quanto à inclusão de temas urgentes, como:

1. Redução e coleta do lixo;

2. Incentivo ao uso e cultivo de plantas medicinais;

3. Alimentação saudável (para redução de doenças relacionadas à mudança de hábitos alimentares);

4. Agricultura sustentável.

Essas demandas foram expostas após discussão em grupo e incluídas automaticamente na proposta prévia que o Idesam havia elaborado.

Ao longo do projeto, serão ministradas 5 oficinas em cada comunidade e uma grande Feira de Sementes, Sabores e Saberes fechando a programação, reunindo os resultados e apresentando todos os trabalhos realizados durante as oficinas.

As oficinas possuem os seguintes temas: desenho coletivo do SAF ideal, cultivo e uso de plantas medicinais, redução e tratamento do lixo, alimentação saudável, reaproveitamento dos resíduos orgânicos na agricultura através da compostagem.

Na Feira de Sementes, Sabores e Saberes, além da troca de sementes, haverá um concurso culinário de pratos tradicionais e exposição dos artefatos produzidos pelas crianças durante as oficinas. Será o primeiro evento desse tipo na terra indígena e todos manifestaram grande empolgação e envolvimento, não só com a atividade, mas com todo o programa em si.

O início das oficinas está previsto para o próximo mês de outubro.

O Idesam acredita que a existência e o envolvimento dos agentes ambientais será um fator diferencial de garantia para o sucesso das atividades de educação ambiental, que contarão também com os professores indígenas e agentes de saúde.

Durante o restante da viagem, entre os dias 14 e 17, a equipe seguiu para o rio Andirá e visitou os produtores que serão beneficiados com as áreas demonstrativas de SAF, também realizadas pelo Idesam no âmbito do projeto. Os maiores anseios desses produtores são a melhoria da produção de guaraná, urucum, andiroba e pau-rosa, bem como o aumento do cultivo de gêneros alimentares de forma mais integrada.

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