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14/03/2013

Effectuation: um novo olhar sobre o empreendedorismo



por Aline Radaelli, pesquisadora do Programa Manejo Florestal – IDESAM

 
Entre os dias 18 e 22 de fevereiro participei de um treinamento-repasse realizado em Curitiba pela ONG Aliança Empreendedora. O tema principal do encontro foi a metodologia utilizada pela equipe de facilitadores da ONG, que atua como promovedora de acesso aos microempreendedores em seus três escritórios – Curitiba, Recife e Salvador  – e conta com 26 organizações de diversas áreas de atuação como aliadas. Seu foco são os negócios inclusivos, que unem lucro e inclusão social em suas atividades.
 
A metodologia criada pela ONG é um compilado de diversas correntes teóricas de psicologia, administração, psiquiatria e gestão de pessoas, mas que conta com a sobressaliência da metodologia de Saras Sarasvathy, pesquisadora indiana da Universidade da Virginia altamente conceituada em seus estudos sobre empreendedorismo e que se tornou referência com sua teoria chamada Effectuation, na qual defende que os empreendedores, em sua maioria, tomem decisões baseadas mais nas circunstâncias do momento do que em planejamento e previsões.


Com base em entrevistas realizadas com empreendedores americanos, detentores de empresas que tinham faturamento mínimo de US$ 200 milhões e máximo de US$ 6,5 bilhões por ano, Saras constatou que nenhum deles começou com um plano de negócio firmado e fechado. E concluiu: os empreendedores não necessariamente precisam começar seus empreendimentos, sejam quais forem, com um plano de negócios em mãos. Enquanto a “Abordagem Casual”, a mais conhecida, se baseia em planejamento o mais exato possível, como uma espécie de quebra-cabeça, com peças e objetivo bem definidos, a “Abordagem Efetiva”, estudada e proposta por Saras, parte do princípio de que a criatividade para empreender a partir do que se tem é muito mais importante. Como uma colcha de retalhos, que você a faz usando as peças de tecido que possui, costurando-as de forma aleatória.

 

Saras afirma ainda que pelo fato de o mercado não ser estático, o empreendedor deve ser flexível para aceitar e acompanhar essas mudanças, podendo até mesmo criar e influenciar estes mercados. Como a base da metodologia Effectuationconta com o processo de autoconhecimento de perguntas como “quem sou?”, “o que sei fazer?” e “quem eu conheço?”, a proposta de Saras é fazer com que o empreendedor tire um pouco o foco de seu negócio e pense em si mesmo, pois se conhecendo bem, sabendo ao certo o que é capaz de fazer e oferecer, e tendo uma rede de contatos bem definida em mente, as chances de o empreendimento dar certo são muito maiores. Tais perguntas e respostas que o empresário deve se fazer não são somente para o momento de criação e abertura do negócio, mas sim para todo o processo; elas devem ser revistas e repensadas a todo momento e a cada nova decisão, de modo a não se deixar perder o foco do negócio que ele acredita e está apostando todas as fichas.


A semana foi de grandes experiências novas e alegrias. Pude entrar em contato com metodologias de gestão de pessoas que nunca havia entrado antes, aprender todo o processo de desenvolvimento e estímulo ao autoconhecimento das pessoas e grupos que queiram empreender e melhorar suas rendas, e conhecer pessoas incríveis de cada canto do país – Zenildo, do Instituto NovaAção, de Recife; Verônica, da Cooper Região, de Londrina; Breno e Carlinhos, da Sociedade Semear de Aracaju; Alessandro, da Fundação Grupo Esquel, de Brasília; Natália, da Rede Cidadã, de Belo Horizonte; Tatiane, da Fundação AVINA, filial de Curitiba;  e Regina, Helena, Marina e Carol, da Aliança Empreendedora–, que promovem belos trabalhos e estavam ali reunidas dispostas a aprimorar seus conhecimentos e passar um pouco de suas experiências junto a instituições e organizações.

 
E Curitiba, possuidora de uma coisa boa que não sei explicar, nos recebeu muito bem com seus bem cuidados parques, suas praças com lindas araucárias e seu clima agradável. Desde a primeira vez que estive lá – por pouco tempo, e como turista –, me indentifiquei com a cidade. Nesta semana, em que eu realmente pude ver como ela funciona no dia a dia, gostei ainda mais.
 
Admiração pela cidade à parte, o trabalho agora é repensar a forma e o conteúdo de sua metodologia a fim de adequá-la à realidade daqui do Amazonas, da RDS Uatumã, cumprindo dois de seus princípios, que afirmam que ela deve “ser replicável” e “flexível”.

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