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:: MANEJO DOS RECURSOS NATURAIS ::

A primeira das valorações dos serviços ambientais que o Idesam enxerga para a Amazônia é a produção sustentável dos bens naturais que a floresta disponibiliza.

A soma da ciência e do conhecimento tradicional são chave para o pleno desenvolvimento do manejo sustentável dos recursos naturais amazônicos.

 
   
 
:: Manejo Não-madeireiro ::
O conceito de manejo florestal de uso múltiplo para as comunidades contempla uma gestão florestal como um sistema complexo e integrado, que deve ser manejado a partir de uma análise holística e valorado como sistema (serviços ambientais) e pela biodiversidade apresentada, não limitando-se às espécies extrativistas que possuem mercado atualmente. O decreto 2.788/1998 (IBAMA, 1998) determinou que o manejo florestal na Amazônia brasileira deveria ser orientado pelo uso múltiplo, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema amazônico. Atualmente, o manejo florestal é visto como elemento fundamental de valoração da floresta em pé, garantindo a manutenção dos serviços ambientais e o conhecimento tradicional das populações tradicionais. Agregado aos princípios de uso múltiplo, a valoração dos serviços ambientais (REDD+) pode subsidiar a assistência técnica florestal e a capacitação comunitária.

Em Unidades de Conservação de uso sustentável, sua concepção e implementação prevêem o uso múltiplo como base da economia tradicional, com regras e zoneamento que garantem o uso tradicional. A Gestão Integrada para Manejo dos Recursos Florestais para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã propõe a regularização e o ordenamento da atividade extrativista tradicionalmente praticada na região, garantindo o uso dos mais de 30 produtos madeireiros e não madeireiros historicamente já produzidos na calha do rio Uatumã. Busca também a partir do resgate do conhecimento tradicional, da aplicação de novos conhecimentos silviculturais e do fortalecimento da gestão comunitária, incrementar a geração de renda a partir da produção florestal de uso múltiplo, com diversificação na comercialização de produtos florestais e acesso a diferentes mercados. Propõe-se assim um novo modelo de gestão florestal para as Unidades de Conservação do Estado.

Na RDS do Uatumã, através de oficinas participativas comunitárias com convidados de institutos de pesquisa (INPA, UFAM), órgãos de Governo (CEUC, SEAFE) e empresa de consultoria em preparação para organização e certificação (Biológica), utilizando o conhecimento tradicional, a legislação vigente e o conhecimento dos convidados, estabeleceu-se regras para o uso múltiplo de diferentes produtos florestais: madeira, galhos e folhas; frutos e sementes; cipós; exudatos do tronco (como copaíba, breus, leite do Amapá); orquídeas e bromélias, cascas e raízes.

Este trabalho participativo foi o primeiro passo para produção de uso múltiplo na RDS do Uatumã. A produção não madeireira ainda não está plenamente definida seu licenciamento nos órgãos licenciadores, seja IBAMA ou IPAAM.

A regra geral é que a colheita de produtos não-madeireiros não exige licenciamento de sua prática, e numa Unidade de Conservação, as regras internas estabelecidas para organização e manutenção da sustentabilidade da produção é o suficiente. Mas há casos fora desta regra, como alguns não madeireiros que possuem regras bastante restritivas, caso de orquídeas e bromélias. Outras possuem Instruções Normativas (cipó-titica e pau-rosa), e outras ainda são pouco discutidas ou ainda não foram aplicadas em UC's, como o manejo de galhos e folhas sem ter que derrubar a árvore, ou o aproveitamento de resíduos de madeira, como costaneiras, cascas, galhos e folhas de árvores caídas oriunda de manejo florestal de pequena escala.

Assim, algumas das atividades de uso múltiplo descritas ainda não são possíveis de serem manejadas. Atualmente a produção possível de ser realizada na RDS do Uatumã é o manejo florestal madeireiro comunitário (apenas para madeira em pranchas), o manejo de cipós – seguindo a IN do cipó-titica, a produção não madeireira de frutas, frutos e exudatos do tronco. Para avançar com as outras regras estabelecidas, o próximo passo é estabelecer diálogos com órgão gestor (CEUC) e licenciador (IPAAM) para aos poucos ir conseguindo reconhecer o direito de uso tradicional das comunidades, que sempre teve a comercialização de não-madeireiros como eixo de sobrevivência, e com isso, potencializar os aproximadamente 150.000,00ha da Zona de Uso Extensiva (Extrativista) decretada no Plano de Gestão como área passível de produção não-madeireira.

:: Manejo Madeireiro ::
Para se obter a efetiva implementação de Unidades de Conservação de Uso Sustentável é necessário que seus moradores tenham opções de geração de renda dentro da área protegida. Como uma das opções existentes há a exploração madeireira, que é uma atividade tradicional de muitas comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Na RDS do Uatumã, até 2008, a atividade madeireira era realizada entre os moradores da reserva, entretanto não era realizada com base em Planos de Manejo ou ações de extensão florestal. Os principais usos da madeira são para a construção de casas, móveis, pontes, barcos, cercas, currais, entre outros. Em 2008 o Idesam iniciou as atividades visando regulamentar a exploração madeireira, assim como fornecer aos manejadores técnicas mais eficientes de manejo florestal. Utilizou-se dados obtidos para a elaboração do Plano de Gestão da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, quando foram realizados inventários com a finalidade de verificar o potencial madeireiro da reserva. Os inventários identificaram além da viabilidade da exploração madeireira, quando realizados em áreas onde acontece tradicionalmente a exploração madeireira comunitária, permitiram também verificar em campo a baixa pressão sobre os recursos madeireiros.

Após a aprovação do Plano de Gestão da RDS do Uatumã, que permitiu execução de Planos de Manejo por comunidade, o Idesam iniciou a elaboração de 14 Planos de Manejo inovadores quanto aos aspectos técnicos e de gestão comunitária em uma Unidade de Conservação do Amazonas. Os Planos de Manejo foram elaborados dentro dos padrões previstos pela Instrução Normativa Estadual 002/2008, que regulamenta Planos de Manejo Florestal Sustentável em Pequena Escala. Dessa forma foram delimitadas 14 áreas, em comunidades distintas, de 500 hectares na Zona de Uso Extensivo da RDS, área máxima permitida por esta IN. Nas áreas de manejo estabelecidas foram realizados censos florestais de uso-múltiplo, onde foram inventariados todos os indivíduos arbóreos com diâmetro a altura do peito (DAP) maior ou igual a 30 cm, sendo madeireiro ou não, e todos os indivíduos não arbóreos, como palmeiras e lianas, como forma de se ampliar as opções de produtos e diminuir a pressão por algumas espécies. Realizou-se identificação botânica por para-taxonômos, o que garantiu a exata identificação dos indivíduos e possibilita a identificação de um maior número de espécies possíveis a serem explorados, não se restringindo às espécies de conhecimento tradicional. Outro fator de destaque dos Planos de Manejo da RDS do Uatumã é a inserção de um limite de exploração de 25m³ de madeira por hectare inventariado, uma vez que a Instrução Normativa Estadual não regula a intensidade de exploração por área inventariada, e sim, pela área de efetivo manejo.

Como aspectos de gestão dos planos, o Idesam é o responsável técnico pelos Planos de Manejo da RDS do Uatumã, que estão sob a tutela da AACRDSU, associação de moradores da reserva. A AACRDSU elegeu para cada comunidade um representante legal para representá-la no licenciamento dos planos de manejo florestal comunitários. Dessa forma, a comercialização da madeira do manejo florestal pode ser realizada por cada comunidade ou de forma coletiva via AACRDSU.

Para consolidar o Manejo Florestal na RDS do Uatumã o Idesam atua em aspectos de extensão florestal e políticas públicas. Em todas as atividades de campo a presença dos comunitários e detentores dos planos é indispensável, como forma de fornecer técnicas de manejo florestal aos manejadores, que possam tornar mais eficientes e menos impactante a atividade tradicionalmente já executada por eles, além de torná-los cada vez menos dependentes de atores externos. Assim como foi, e ainda é necessário, a participação do Idesam em Grupos de Trabalho Estaduais e Federais, além de discussões e apoio à instituições estaduais para regulamentar e viabilizar o manejo Florestal em Unidades de Conservação do Amazonas.

:: Manejo de Pesca ::
O manejo de pesca foi previsto no Plano de Gestão da RDS do Uatumã somente para a pesca dos peixes de arribação, o jaraqui e a matrinxã. Arribação são os chamados peixes que sobem o rio Uatumã para desovar em suas cabeceiras e depois retornam descendo o rio e saindo novamente da Reserva. Essa movimentação pesqueira ocorre durantes os meses de março a junho, durante o período que os rios estão cheios.

O Idesam elaborou o Plano de Gestão e ainda não atuou diretamente no planejamento da pesca destes peixes. Mas tem participado de forma decisiva no planejamento da pesca esportiva no RDS. O Idesam elaborou em parceria com o CEUC as primeiras Regras de Pesca Esportiva de uma Unidade de Conservação do Brasil. A pesca esportiva faz parte das atividades de turismo na RDS que farão parte do Plano de Uso Público da Reserva.

A proposta do Idesam é continuar contribuindo no apoio a adequada implantação da pesca esportiva no Uatumã, de modo a não prejudicar a vida comunitária e os estoques pesqueiros da Reserva.

 
 

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