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O projeto realizou no mínimo uma saída de campo em todos os cinco municípios durante o ano de 2008. Para a primeira visita em cada município, técnicos do Idesam percorreram as estradas e visitaram propriedades e conversaram com proprietários dentro e fora de assentamentos. O objetivo foi compreender a realidade da atividade agropecuária e madeireira, o esquema de venda e transporte dos produtos e as dificuldades e limitações de cada localidade. Em cada um desses municípios também foram realizadas visitas aos órgãos locais pertinentes ao estudo projeto, de instituições governamentais a associações de classe, como extrativistas, produtores rurais e pecuaristas. Com os contatos e informações dessa primeira etapa do projeto e a coleta de informações e pesquisa bibliográfica, foi possível evoluir para um segundo estágio, com ações mais pontuais de coleta de informações e capacitação.

OFICINA DE MAPEAMENTO PARTICIPATIVO E ATIVIDADES PRODUTIVAS DE MANICORÉ
Nos dias 18 e 19 de fevereiro de 2009 foi realizada na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Manicoré, uma oficina de micro-zoneamento das atividades produtivas. A oficina contou com a parceira e articulação do escritório local do Conselho Nacional dos Seringueiros(CNS) e apoio da UEA. A oficina reuniu ao todo 20 lideranças de associações de produtores locais nos diversos setores e regiões da zona rural de Manicoré, além de professores da UEA e representantes do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (IDAM). O objetivo da oficina foi compreender como estão estruturadas as atividades produtivas, quais são e qual a rentabilidade delas, considerando os diferentes cenários, a saber: Terras Indígenas, Unidades de Conservação e áreas privadas. A programação foi dividida em três partes:

Mapeamento da paisagem - em um grande mapa, cada participante detalhou as atividades nos locais que conhecia, identificando as comunidades, número de famílias, situação fundiária e atividades econômicas principais (Fig. 1,2 e 3).

 
 




 
 
2) Mapas de uso da terra - cada participante foi convidado a desenhar a distribuição das culturas agrícolas e áreas de uso de sua família ou comunidade, incluindo áreas de capoeiras e a floresta remanescente. Com cartolinas e de forma bem didática, pedimos para cada um desenhar suas propriedades da forma mais real possível e distribuir quais plantios/atividades e quais os tamanhos destas áreas.

3) Custos e receitas da produção - Foi realizado um painel com todos os participantes sobre as atividades agrícolas e de extrativismo, desde a sazonalidade ciclo de trabalho (plantio, colheita, etc.) seguida dos custos e mão de obra envolvidos em cada etapa de cada atividade, e por fim as receitas oriundas da venda dos produtos. Foram construídos cenários diferentes, pois algumas regiões a dinâmica e os modos de produção ou o preço do produto eram distintos. Essas informações permitiram gerar a rentabilidade das atividades de plantio de banana, macaxeira com e sem produção de farinha, melancia, extração de borracha e coleta de castanha do Brasil, as atividades mais desenvolvidas pelos participantes. Essas informações formam os custos de oportunidade para o desenvolvimento de um projeto de REDD+ na região.

 
 


 
 
CAPACITAÇÃO DA COMUNIDADE INDÍGENA DE BOCA DO ACRE SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E REDD

Nos dias 26 e 27 de abril, aconteceu em Boca do Acre uma oficina de capacitação indígena. Em meio ao interesse e demanda da organização indígena de Boca do Acre – OPIAJBAM que contempla 17 etnias indígenas da região de Boca do Acre (também Lábrea, Paunini e Eurinepé) o IDESAM realizou a oficina para capacitação e esclarecimentos sobre os temas: Mudanças Climáticas, Mercado de Carbono, REDD+ e a posição dos povos indígenas. O evento contou com a presença de 35 pessoas, em sua maioria lideranças indígenas, representando seis das 10 etnias presentes em Boca do Acre. Dentre as apresentações e dinâmicas de grupo, o Idesam contou com as seguintes instituições parceiras: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Universidade Federal do Acre (UFAC).

A capacitação suscitou curiosidade e interesse dos presentes. Sendo um assunto pouco conhecido pelos indígenas, o fato de se pensar no carbono como “captador de recursos” geram idéias e expectativas que podem parecer frustrantes ao término das apresentações. Questões quanto à captação, aplicação e gestão dos recursos foram os principais pontos e dúvidas apresentados. Os cenários futuros para a região, com as obras já iniciadas e as previstas, foram apresentados pelo IPAM, e os impactos nas Terras Indígenas são preocupantes, principalmente naquelas cortadas pela BR-317, que será pavimentada. Essa obra foi bastante debatida no evento, e representantes da FUNAI e UFAC mediaram a conversa para que os indígenas apresentassem suas reivindicações como compensação ao impacto da pavimentação da BR-317.

Essa capacitação instigou a busca de mais informações sobre REDD+, ao passo que os conceitos básicos foram incorporados pelos presentes. Assim, novas idéias e propostas surgiram, bem como encaminhamentos, desde a maior organização e coesão entre as diferentes etnias indígenas na luta pelos seus direitos, até áreas potenciais para a implementação de atividades de REDD+.

 
 


 
     
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